O CFM encaminhou ao Ministério da Saúde (MS) e às 54 secretarias de saúde dos estados e das capitais cópias do Parecer 1/11, aprovado pelo plenário, que analisa
portarias federais que tratam do funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial
(Caps). O documento, que também seguiu para todos os conselhos regionais de medicina
e Associação Brasileira de Psiquiatria, entre outras entidades da área médica, conclui que as normas que regulamentam a assistência psiquiátrica não estão de
acordo com preceitos éticos e legais da medicina.
De acordo com as normas do ministério (Portarias SAS 224/92 e 336/02), não é
necessário que médicos estejam presentes nos Caps III, AD II e III durante todo o
período de atendimento. Com esta manobra, a assistência ao doente, as prescrições,
medicamentos e alguns encaminhamentos ficam em desacordo com a lei. “Os Caps devem ter condições de prestar assistência adequada aos pacientes, com médicos psiquiatras que ofereçam tratamento a suas doenças”, afirma o 3º vice-presidente e coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria da instituição, Emmanuel Fortes, responsável pelo documento. Existem diferentes tipos de Caps, definidos por ordem crescente de porte,
complexidade e abrangência populacional. As portarias do MS indicam que esses centros
se destinam a pacientes com transtornos mentais severos e persistentes, e preveem regimes de tratamento intensivo, semi-intensivo e não intensivo.
Os Caps III, AD II e III possuem leitos para acomodar pacientes por períodos de até
sete dias corridos. “Os pacientes ficam internados, às vezes com quadros muito graves, e não contam com assistência médica à sua cabeceira. Isso não pode acontecer”, diz Emmanuel Fortes.
O 3º vice-presidente espera que o documento provoque mudanças que afetarão positivamente o trabalho médico e a qualidade do atendimento.
“A troca de gestores do MS responsáveis por saúde mental, ora em processo, é
um bom sinal, desde que os novos gestores sejam sensíveis à realidade das doenças e da psiquiatria. Penso que o caminho atual ainda está longe de ser o melhor”, acrescenta o conselheiro.
Os blogs serão uma ferramenta importante em nosso curso. Um canal de comunicação que nos ajudará a diminuir as distâncias físicas, permitindo que nossas discussões e reflexões sejam construídas de forma coletiva, não só nos dias de encontros presenciais. Conheça, opine, debata !
quarta-feira, 13 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Etiquetas psiquiátricas de trastornos inventados | Spot del CCHRInt
Pessoal... não sei se todos conhecem mas este vídeo é muito interessante....
Bjs,
Carol
Recorde de Mortes em Hospitais Psiquiátricos de Sorocaba
Recorde de Mortes em Hospitais Psiquiátricos de Sorocaba
Publicado em 20/03/2011 por flamasorocaba
Reportagem Completa
O Forum de Luta Antimanicomial considera o número insuficiente de funcionários como uma das principais causas dos óbitos; psiquiatra, filho de dono de hospital, admite que instituições não cumprem legislação federal.
Denúncia do Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba (Flamas) revela número alarmante de mortes entre pacientes internados em hospitais psiquiátricos do município, no interior de São Paulo. O estudo produzido pela organização aponta 233 mortes nos quatro hospitais psiquiátricos da cidade durante o quadriênio de 2006 a 2009.
O Hospital Vera Cruz lidera a lista macabra. Sozinho, o estabelecimento registrou 102 mortes nesse período. O pico foi verificado em 2008, quando foram registrados 40 óbitos entre seus pacientes. Na sequência, aparecem os hospitais Mental, com 46 mortes, seguido de perto pelo Teixeira Lima, com 45, e o Jardim das Acácias, com 40.
A explicação para o número elevado de mortes entre os pacientes internados é o de que essas instituições operam com número reduzido de funcionários no atendimento aos doentes. “O número de funcionários está abaixo do que a legislação determina”, revela o psicólogo Marcos Garcia, do Flamas.
O psiquiatra Carlos Eduardo Zacharias, filho de um dos donos do Vera Cruz, reconhece que o hospital opera com número de funcionários inferior ao previsto na legislação federal, mas nega que esse seja o elemento causal dos óbitos. “Nenhum hospital do país consegue respeitar o que a legislação pede”, admite.
Ele exime os estabelecimentos psiquiátricos privados da culpa pelo número de funcionários reduzido e joga a responsabilidade no colo do Executivo. “O governo não paga o suficiente para colocar mão de obra lá dentro. Só para botar o pessoal que a portaria determina, dá 1,16 vezes o que o hospital recebe do SUS”, critica.
O Flamas questiona essa versão. “No Brasil, os donos de hospitais psiquiátricos ganham muito dinheiro. Dominam a Associação Brasileira de Psiquiatria e constantemente soltam relatórios criticando a política de saúde mental do governo. Choram miséria”, frisa o psicólogo.
O exemplo apresentado por Carlos Eduardo para justificar a falta de funcionários nos hospitais psiquiátricos é esdrúxulo. “Quantos hotéis se consegue achar em São Paulo por R$ 35 ao dia?”, questiona. Segundo ele, o governo federal repassa entre R$ 35 e R$ 45 por paciente/dia. “O hospital tem de ter cama, lavanderia, fora a hotelaria, tem a manutenção e o pessoal (funcionários da folha de pagamento)”, afirma para criticar o baixo valor que estaria sendo repassado aos donos de hospitais.
O psiquiatra ressalta que corre na Justiça, em Brasília, uma ação impetrada pela Federação Brasileira de Hospitais contra o Ministério da Saúde. Nela os proprietários de hospitais psiquiátricos alegam que há desequilíbrio econômico-financeiro entre o valor pago pelo Executivo e o que os proprietários gastam no tratamento dos pacientes.
Ele informa que o Hospital Vera Cruz possui 12 psiquiatras. “Dá para atender a 480 pacientes (o total de leitos na instituição é de 490). Em termos de médicos, tem o suficiente para atender o que diz a portaria. Mas em termos de enfermagem você tem de conversar com o setor técnico. Teria de falar com o meu pai (Florivaldo Zacharias)”, afirma desconversando.
De acordo com ele, para cada 40 leitos o hospital precisa de um psiquiatra. O número de leitos que são administrados pelos funcionários aumenta para as outras funções ligadas à saúde. São necessários quatro auxiliares de enfemagem. um terapeuta ocupacional e uma psicóloga para cuidar de 60 leitos.
MORTES
Carlos Eduardo afirma desconhecer o número de Óbitos que teriam ocorrido no hospital Vera Cruz. “Eu não sei, não tenho esse número. Você não está falando com a pessoa certa. A Secretaria Municipal de Saúde passou lá, avaliou o livro de óbitos e não encontrou isso que estão falando”. afirma ao se referir à denúncia do Flamas.
Os dados apresentados no estudo realizado pelo Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba revelam que os Óbitos verificados na cidade são superiores ao de padrões internacionais, apesar de a metodologia empregada ser distinta à adotada em países estrangeiros.
Marcos cita, como exemplo, um hospital da Alemanha onde o número de mortes é de 0,5% por ano. O relatório do Flamas é taxativo: ‘Há na cidade de Sorocaba um número muito maior de mortes do que seria o esperado. O número de mortes surpreende.”
O psicólogo do Flamas conta que levou em consideração para efeito de análise, a comparação entre os três maiores manicómios do Estado de São Paulo: Araras. Itapira e Sorocaba, localizados em cidades do interior paulista. Ele constatou que “no hospital Vera Cruz morrem muito mais pacientes” do que em outras instituições.
“Quem é esse Flamas? Qual é o seu CNPJ? Entrei no sítio (da intemet) e não encontrei o nome do responsável. É um fantasma. Não existe juridicamente. Como pode sair por ai, dizendo isso ou aquilo. encoberto pelo manto da invisibilidade”, critica Carlos Eduardo.
A metodologia utilizada pelo FLAMAS, que culminou no estudo, levou em consideração dados referentes ao Censo Psicossocial dos Moradores em Hospitais Psiquiátricos do Estado de São Paulo. Também foram consultadas informações do Datasus, o banco de dados do Sistema Único de Saúde, do CNES, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, além do SIM, o Sistema de Informações sobre Mortalidade.
As informações financeiras foram obtidas por meio de consulta aos diários oficiais de Sorocaba, no caso dos hospitais psiquiátricos do município. Para as demais regiões a consulta abrangeu também o Diário Oficial do Estado. Os dados populacionais foram obtidos no Censo de 2010.
EXCLUSÃO SOCIAL
Sorocaba é a cidade brasileira com a maior concentração de leitos hospitalares psiquiátricos do país. Para um universo populacional de 586.311 moradores, em 20l0, o município do interior paulista dispunha de 1.369 vagas. O Hospital Vera Cruz responde por 490 leitos.
Esse número salta ainda mais se for ampliado para municípios da macro-região sorocahana e atinge a casa de 2.792 leitos, o que dá uma relação de 2.3 leitos por mil pessoas. O número é cinco vezes superior ao preconizado pela legislação do Ministério da Saúde. que determina um número máximo de 0,45 leitos por mil habitantes.
Carlos Eduardo contesta a informação e diz que os hospitais psiquiátricos do município atendem de 60% a 70% de pacientes de outras cidades. O que, segundo ele, diminuiria a relação de paciente/leito.
A concentração de hospitais psiquiátricos no município de Sorocaba surgiu nos anos 70, durante a ditadura militar, quando a regra era o internamento e confinamento de pacientes com problemas mentais.
Marcos conta que a lógica seguida pelos proprietários desses hospitais foi a da obtenção de retomo financeiro. “Os donos [de hospitais] começaram a ganhar dinheiro e expandiram o negócio”, explica.
Esses hospitais não pertencem a um único dono, são comandados por cotistas. Uma fonte que não quis se identificar revelou à reportagem da Caros Amigos que o secretário da Saúde de Sorocaba, Milton Palma, é cotista em três hospitais próximos ao município, em que está à frente da pasta.
Mas o conflito de interesses entre público e privado nâo se restringe apenas a esse caso. O próprio Carlos Eduardo Zacharias, filho de Florivaldo Zacharias, um dos donos do Hospital Vera Cruz, é o responsável pelo plantão psiquiátrico do Hospital Geral (público) da cidade. Cabe a ele direcionar os pacientes que serão internados no hospital de seu pai e dos demais proprietários da rede privada.
Segundo uma fonte que não quis se identificar, Carlos Eduardo alimentaria a demanda desses hospitais por pacientes. A pessoa afirma que considera complicado coordenar uma central de vagas e ao mesmo. tempo ser filho do dono de um desses hospitais privados. “Como e um ardoroso defensor de manicômios, vai achar que boa parte das pessoas que buscam atendimento psiquiátrico no hospital público tem de ser intemadas. Se o hospital privado tiver vaga, vai estar sempre cheio”, enfatiza a fonte.
“Estou com 12 pacientes aguardando vaga e não tenho para onde mandar”, destaca Carlos Eduardo, durante entrevista à reportagem da Caros Amigos, ao se referir ao número elevado de pacientes para o total de leitos oferecidos.
LUTA ANTIMANICOMIAL
O modelo manicomial e contestado pelo psicólogo Marcos, que também e professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). O Flamas combate o formato de confinamento a que os pacientes são submetidos nessas instituições psiquiátricas. Para ele. trata-se de uma fórmula excludente. “Sorocaba tem uma política de saúde mental ultrapassada. Não passou pela reforma psiquiátrica (que defende o não intemamento em hospitais psiquiátricos).”
Os Conselhos Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP) e Federal de Psicologia (CFP) também tecem fortes criticas a esse modelo de internmento, que confina os pacientes em instituições fechadas. Para a conselheira do CFP, Maria Emiinia Ciliberti, é preciso reduzir o número de leitos para a internação involuntária. A psicóloga defende um modelo inclusivo, onde o paciente seja tratado de maneira integral. “Isolamento não é’ tratamento”, enfatiza.
O representante do Flamas considera que a cultura de exclusão presente na sociedade sorocabana está no cerne para a perpetuação do município no topo do ranking nacional de leitos psiquiátricos por paciente. “Sorocaba é bastante conservadora do ponto de vista político e moral.” Ele explica que a diferença do município em relação a outras cidades “é que nos outros locais esses hospitais foram fechados, e aqui ainda não”. lamenta.
DIRElTOS HUMANOS
O estudo desenvolvido pelo Fórum de Luta Antimanicomial de Sorocaba constata que a principal causa mortis de pacientes internados em hospitais psiquiátricos é o infarto. “A gente considera que essas mortes acontecem por outro motivo, mas (no atestado de Óbito) são registradas como infarto”, suspeita Marcos.
De acordo com ele, não estaria ocorrendo uma investigação adequada sobre o fator determinante que estaria levando essas pessoas ao Óbito. A suspeita é que. por algum motivo, não estariam sendo realizados os exames necroscópicos para a elucidação da morte.
“Se a pessoa falece de morte desconhecida deveria ser feita a autópsia, mas isso não acontece nos manicômios daqui. Nem no momento da morte (esses pacientes) são tratados com dignidade.” Ainda de acordo com ele, o fato de vários pacientes não terem família faz com que não se realize esse procedimento de uma forma adequada. “Não estou acusando, mas essa é a impressão que dá”, frisa.
Já o psiquiatra Carlos Eduardo considera pertinentc o infarto aparecer como a causa dc maior incidência no número de mortes entre os pacientes psiquiátricos. “Tem usuários de drogas, pcssoas desnutridas. desidratadas. Há um grande risco de terem infarto do miocárdio.”
Dados do relatório produzido pelo Flamas também relevam que há mortalidade precoce nos manicômios. “Mais de um quarto dos pacientes tem entre 17 e 39 anos. A média de idade é de 49 anos.” Ainda segundo o relatório, pacientes psiquiátricos tem expectativa de vida de oito a 10 anos menor do que a população em geral.
“Levando-se em conta que a expectativa de vida no Brasil é de 69,4 anos para homens e de 77 anos para mulheres, seria esperada uma expectativa de vida de 60 anos para pacientes psiquiátricos homens e de 68 para as mulheres, significativamente acima dos dados obtidos nos manicômios de Sorocaba”. Nesses manicômios a média é de 48 anos para os internos do sexo masculino e de 51 para as mulheres. Para o representante do Flamas, mais da metade dessas mortes que acontecem nesses hospitais poderiam scr evitadas.
O relatorio aborda também a violação aos direitos humanos que estariam ocorrendo dentro dos hospitais psiquiátricos. O texto destaca o fechamcnto do hospital Pilar do Sul, após vistoria da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa de São Paulo. Dentre as inúmeras irregularidades que seriam cometidas nesse manicômio, destacam-se “o uso da camisa de força. a existência de uma estaca onde os pacientes eram espancados. a falta de médicos, terapeutas ocupacionais e enfermeiros”, além das péssimas condições de higiene.
Foi a partir desse caso que os membros do Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba resolveram realizar o levantamento dos indicadores sobre os hospitais psiquiátricos da região.
Lúcia Rodrigues é jornalista.
http://flamasorocaba.wordpress.com/2011/03/20/caros-amigos-recorde-de-mortes-em-hospitais-psiquiatricos-de-sorocaba/
Publicado em 20/03/2011 por flamasorocaba
Reportagem Completa
O Forum de Luta Antimanicomial considera o número insuficiente de funcionários como uma das principais causas dos óbitos; psiquiatra, filho de dono de hospital, admite que instituições não cumprem legislação federal.
Denúncia do Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba (Flamas) revela número alarmante de mortes entre pacientes internados em hospitais psiquiátricos do município, no interior de São Paulo. O estudo produzido pela organização aponta 233 mortes nos quatro hospitais psiquiátricos da cidade durante o quadriênio de 2006 a 2009.
O Hospital Vera Cruz lidera a lista macabra. Sozinho, o estabelecimento registrou 102 mortes nesse período. O pico foi verificado em 2008, quando foram registrados 40 óbitos entre seus pacientes. Na sequência, aparecem os hospitais Mental, com 46 mortes, seguido de perto pelo Teixeira Lima, com 45, e o Jardim das Acácias, com 40.
A explicação para o número elevado de mortes entre os pacientes internados é o de que essas instituições operam com número reduzido de funcionários no atendimento aos doentes. “O número de funcionários está abaixo do que a legislação determina”, revela o psicólogo Marcos Garcia, do Flamas.
O psiquiatra Carlos Eduardo Zacharias, filho de um dos donos do Vera Cruz, reconhece que o hospital opera com número de funcionários inferior ao previsto na legislação federal, mas nega que esse seja o elemento causal dos óbitos. “Nenhum hospital do país consegue respeitar o que a legislação pede”, admite.
Ele exime os estabelecimentos psiquiátricos privados da culpa pelo número de funcionários reduzido e joga a responsabilidade no colo do Executivo. “O governo não paga o suficiente para colocar mão de obra lá dentro. Só para botar o pessoal que a portaria determina, dá 1,16 vezes o que o hospital recebe do SUS”, critica.
O Flamas questiona essa versão. “No Brasil, os donos de hospitais psiquiátricos ganham muito dinheiro. Dominam a Associação Brasileira de Psiquiatria e constantemente soltam relatórios criticando a política de saúde mental do governo. Choram miséria”, frisa o psicólogo.
O exemplo apresentado por Carlos Eduardo para justificar a falta de funcionários nos hospitais psiquiátricos é esdrúxulo. “Quantos hotéis se consegue achar em São Paulo por R$ 35 ao dia?”, questiona. Segundo ele, o governo federal repassa entre R$ 35 e R$ 45 por paciente/dia. “O hospital tem de ter cama, lavanderia, fora a hotelaria, tem a manutenção e o pessoal (funcionários da folha de pagamento)”, afirma para criticar o baixo valor que estaria sendo repassado aos donos de hospitais.
O psiquiatra ressalta que corre na Justiça, em Brasília, uma ação impetrada pela Federação Brasileira de Hospitais contra o Ministério da Saúde. Nela os proprietários de hospitais psiquiátricos alegam que há desequilíbrio econômico-financeiro entre o valor pago pelo Executivo e o que os proprietários gastam no tratamento dos pacientes.
Ele informa que o Hospital Vera Cruz possui 12 psiquiatras. “Dá para atender a 480 pacientes (o total de leitos na instituição é de 490). Em termos de médicos, tem o suficiente para atender o que diz a portaria. Mas em termos de enfermagem você tem de conversar com o setor técnico. Teria de falar com o meu pai (Florivaldo Zacharias)”, afirma desconversando.
De acordo com ele, para cada 40 leitos o hospital precisa de um psiquiatra. O número de leitos que são administrados pelos funcionários aumenta para as outras funções ligadas à saúde. São necessários quatro auxiliares de enfemagem. um terapeuta ocupacional e uma psicóloga para cuidar de 60 leitos.
MORTES
Carlos Eduardo afirma desconhecer o número de Óbitos que teriam ocorrido no hospital Vera Cruz. “Eu não sei, não tenho esse número. Você não está falando com a pessoa certa. A Secretaria Municipal de Saúde passou lá, avaliou o livro de óbitos e não encontrou isso que estão falando”. afirma ao se referir à denúncia do Flamas.
Os dados apresentados no estudo realizado pelo Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba revelam que os Óbitos verificados na cidade são superiores ao de padrões internacionais, apesar de a metodologia empregada ser distinta à adotada em países estrangeiros.
Marcos cita, como exemplo, um hospital da Alemanha onde o número de mortes é de 0,5% por ano. O relatório do Flamas é taxativo: ‘Há na cidade de Sorocaba um número muito maior de mortes do que seria o esperado. O número de mortes surpreende.”
O psicólogo do Flamas conta que levou em consideração para efeito de análise, a comparação entre os três maiores manicómios do Estado de São Paulo: Araras. Itapira e Sorocaba, localizados em cidades do interior paulista. Ele constatou que “no hospital Vera Cruz morrem muito mais pacientes” do que em outras instituições.
“Quem é esse Flamas? Qual é o seu CNPJ? Entrei no sítio (da intemet) e não encontrei o nome do responsável. É um fantasma. Não existe juridicamente. Como pode sair por ai, dizendo isso ou aquilo. encoberto pelo manto da invisibilidade”, critica Carlos Eduardo.
A metodologia utilizada pelo FLAMAS, que culminou no estudo, levou em consideração dados referentes ao Censo Psicossocial dos Moradores em Hospitais Psiquiátricos do Estado de São Paulo. Também foram consultadas informações do Datasus, o banco de dados do Sistema Único de Saúde, do CNES, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, além do SIM, o Sistema de Informações sobre Mortalidade.
As informações financeiras foram obtidas por meio de consulta aos diários oficiais de Sorocaba, no caso dos hospitais psiquiátricos do município. Para as demais regiões a consulta abrangeu também o Diário Oficial do Estado. Os dados populacionais foram obtidos no Censo de 2010.
EXCLUSÃO SOCIAL
Sorocaba é a cidade brasileira com a maior concentração de leitos hospitalares psiquiátricos do país. Para um universo populacional de 586.311 moradores, em 20l0, o município do interior paulista dispunha de 1.369 vagas. O Hospital Vera Cruz responde por 490 leitos.
Esse número salta ainda mais se for ampliado para municípios da macro-região sorocahana e atinge a casa de 2.792 leitos, o que dá uma relação de 2.3 leitos por mil pessoas. O número é cinco vezes superior ao preconizado pela legislação do Ministério da Saúde. que determina um número máximo de 0,45 leitos por mil habitantes.
Carlos Eduardo contesta a informação e diz que os hospitais psiquiátricos do município atendem de 60% a 70% de pacientes de outras cidades. O que, segundo ele, diminuiria a relação de paciente/leito.
A concentração de hospitais psiquiátricos no município de Sorocaba surgiu nos anos 70, durante a ditadura militar, quando a regra era o internamento e confinamento de pacientes com problemas mentais.
Marcos conta que a lógica seguida pelos proprietários desses hospitais foi a da obtenção de retomo financeiro. “Os donos [de hospitais] começaram a ganhar dinheiro e expandiram o negócio”, explica.
Esses hospitais não pertencem a um único dono, são comandados por cotistas. Uma fonte que não quis se identificar revelou à reportagem da Caros Amigos que o secretário da Saúde de Sorocaba, Milton Palma, é cotista em três hospitais próximos ao município, em que está à frente da pasta.
Mas o conflito de interesses entre público e privado nâo se restringe apenas a esse caso. O próprio Carlos Eduardo Zacharias, filho de Florivaldo Zacharias, um dos donos do Hospital Vera Cruz, é o responsável pelo plantão psiquiátrico do Hospital Geral (público) da cidade. Cabe a ele direcionar os pacientes que serão internados no hospital de seu pai e dos demais proprietários da rede privada.
Segundo uma fonte que não quis se identificar, Carlos Eduardo alimentaria a demanda desses hospitais por pacientes. A pessoa afirma que considera complicado coordenar uma central de vagas e ao mesmo. tempo ser filho do dono de um desses hospitais privados. “Como e um ardoroso defensor de manicômios, vai achar que boa parte das pessoas que buscam atendimento psiquiátrico no hospital público tem de ser intemadas. Se o hospital privado tiver vaga, vai estar sempre cheio”, enfatiza a fonte.
“Estou com 12 pacientes aguardando vaga e não tenho para onde mandar”, destaca Carlos Eduardo, durante entrevista à reportagem da Caros Amigos, ao se referir ao número elevado de pacientes para o total de leitos oferecidos.
LUTA ANTIMANICOMIAL
O modelo manicomial e contestado pelo psicólogo Marcos, que também e professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). O Flamas combate o formato de confinamento a que os pacientes são submetidos nessas instituições psiquiátricas. Para ele. trata-se de uma fórmula excludente. “Sorocaba tem uma política de saúde mental ultrapassada. Não passou pela reforma psiquiátrica (que defende o não intemamento em hospitais psiquiátricos).”
Os Conselhos Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP) e Federal de Psicologia (CFP) também tecem fortes criticas a esse modelo de internmento, que confina os pacientes em instituições fechadas. Para a conselheira do CFP, Maria Emiinia Ciliberti, é preciso reduzir o número de leitos para a internação involuntária. A psicóloga defende um modelo inclusivo, onde o paciente seja tratado de maneira integral. “Isolamento não é’ tratamento”, enfatiza.
O representante do Flamas considera que a cultura de exclusão presente na sociedade sorocabana está no cerne para a perpetuação do município no topo do ranking nacional de leitos psiquiátricos por paciente. “Sorocaba é bastante conservadora do ponto de vista político e moral.” Ele explica que a diferença do município em relação a outras cidades “é que nos outros locais esses hospitais foram fechados, e aqui ainda não”. lamenta.
DIRElTOS HUMANOS
O estudo desenvolvido pelo Fórum de Luta Antimanicomial de Sorocaba constata que a principal causa mortis de pacientes internados em hospitais psiquiátricos é o infarto. “A gente considera que essas mortes acontecem por outro motivo, mas (no atestado de Óbito) são registradas como infarto”, suspeita Marcos.
De acordo com ele, não estaria ocorrendo uma investigação adequada sobre o fator determinante que estaria levando essas pessoas ao Óbito. A suspeita é que. por algum motivo, não estariam sendo realizados os exames necroscópicos para a elucidação da morte.
“Se a pessoa falece de morte desconhecida deveria ser feita a autópsia, mas isso não acontece nos manicômios daqui. Nem no momento da morte (esses pacientes) são tratados com dignidade.” Ainda de acordo com ele, o fato de vários pacientes não terem família faz com que não se realize esse procedimento de uma forma adequada. “Não estou acusando, mas essa é a impressão que dá”, frisa.
Já o psiquiatra Carlos Eduardo considera pertinentc o infarto aparecer como a causa dc maior incidência no número de mortes entre os pacientes psiquiátricos. “Tem usuários de drogas, pcssoas desnutridas. desidratadas. Há um grande risco de terem infarto do miocárdio.”
Dados do relatório produzido pelo Flamas também relevam que há mortalidade precoce nos manicômios. “Mais de um quarto dos pacientes tem entre 17 e 39 anos. A média de idade é de 49 anos.” Ainda segundo o relatório, pacientes psiquiátricos tem expectativa de vida de oito a 10 anos menor do que a população em geral.
“Levando-se em conta que a expectativa de vida no Brasil é de 69,4 anos para homens e de 77 anos para mulheres, seria esperada uma expectativa de vida de 60 anos para pacientes psiquiátricos homens e de 68 para as mulheres, significativamente acima dos dados obtidos nos manicômios de Sorocaba”. Nesses manicômios a média é de 48 anos para os internos do sexo masculino e de 51 para as mulheres. Para o representante do Flamas, mais da metade dessas mortes que acontecem nesses hospitais poderiam scr evitadas.
O relatorio aborda também a violação aos direitos humanos que estariam ocorrendo dentro dos hospitais psiquiátricos. O texto destaca o fechamcnto do hospital Pilar do Sul, após vistoria da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa de São Paulo. Dentre as inúmeras irregularidades que seriam cometidas nesse manicômio, destacam-se “o uso da camisa de força. a existência de uma estaca onde os pacientes eram espancados. a falta de médicos, terapeutas ocupacionais e enfermeiros”, além das péssimas condições de higiene.
Foi a partir desse caso que os membros do Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba resolveram realizar o levantamento dos indicadores sobre os hospitais psiquiátricos da região.
Lúcia Rodrigues é jornalista.
http://flamasorocaba.wordpress.com/2011/03/20/caros-amigos-recorde-de-mortes-em-hospitais-psiquiatricos-de-sorocaba/
Rio - Tragédia em Escola
Rio - Tragédia em Escola
08/04 às 19h13 - Atualizada em 08/04 às 20h40
Psicólogo analisa carta de atirador: tratamento evitaria a tragédia
A carta deixada por Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, tem um conteúdo delirante, característico de uma mente psicótica, na qual é comum a pessoa incorporar elementos culturais de cada época, como as referências religiosas.A análise é do psicólogo Alexandre Passos, que atua há 20 anos no tratamento de doentes mentais na rede pública do Rio.
"O delírio, segundo a interpretação da teoria freudiana, é uma tentativa de reconstrução de laços perdidos. Nesse sentido, a questão da religião não comparece como modus operandi modo de operação, em latim ou causal desses fenômenos, mas apenas incorporada dentro do delírio dele", disse.
Para o psicólogo, mais do que vinculados a qualquer religião, os rituais descritos por Wellington na carta estão mais relacionados à questão da castidade. "Ele se coloca como uma pessoa virgem, que não pode ser tocada por pessoas impuras, o que, segundo essa concepção, seriam aquelas que praticaram sexo antes do casamento", afirmou Passos.
Passos disse que, no caso de Wellington, faltou um devido acompanhamento terapêutico. "O mais importante a ressaltar neste momento é que o Wellington não é apenas um monstro. Essa visão apazigua a sociedade. Todas as questões são centradas nele, mas o fato, a rigor, é que ele era um doente mental sem tratamento. Faltou um olhar em direção a vários sinais que ele vinha emitindo desde a infância e a adolescência, como introversão e isolamento pessoal".
Para o psicólogo, se esses sinais tivessem sido, ao longo do tempo, devidamente observados e tratados, a história de Wellington poderia ter outro desfecho. "Quem sabe se um psicólogo ou psicanalista poderia manejar o curso desse delírio e impedir que ele se desencadeasse dessa forma?".
Há 10 anos também atuando como psicólogo forense no sistema prisional fluminense, Passos disse que o atentado de Wellington se distingue dos mais comumente executados por doentes mentais. "Geralmente, em crimes desse tipo, o autor responde a vozes de comando, alucinações etc. Mas, no caso dele, a ação foi premeditada, embora dentro do curso de um delírio, no qual ele não era possuidor de um juízo crítico, consequente".
Passos afirmou ainda que é curioso o fato de a carta ser correta do ponto de vista gramatical e semântico. "Mas, do ponto de vista pragmático, está dissociada da realidade", segundo o psicólogo.
O atirador levou consigo a carta para o atentado
Atentado
Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e, segundo a polícia, se suicidou logo após o atentado. O atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.
Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola quando foi acionado. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta, Wellington não deu razões para o ataque - apenas pediu perdão de Deus e que nenhuma pessoa "impura" tocasse em seu corpo.
http://www.jb.com.br/tragedia-em-escola/noticias/2011/04/08/psicologo-analisa-carta-de-atirador-tratamento-evitaria-a-tragedia/
08/04 às 19h13 - Atualizada em 08/04 às 20h40
Psicólogo analisa carta de atirador: tratamento evitaria a tragédia
A carta deixada por Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, tem um conteúdo delirante, característico de uma mente psicótica, na qual é comum a pessoa incorporar elementos culturais de cada época, como as referências religiosas.A análise é do psicólogo Alexandre Passos, que atua há 20 anos no tratamento de doentes mentais na rede pública do Rio.
"O delírio, segundo a interpretação da teoria freudiana, é uma tentativa de reconstrução de laços perdidos. Nesse sentido, a questão da religião não comparece como modus operandi modo de operação, em latim ou causal desses fenômenos, mas apenas incorporada dentro do delírio dele", disse.
Para o psicólogo, mais do que vinculados a qualquer religião, os rituais descritos por Wellington na carta estão mais relacionados à questão da castidade. "Ele se coloca como uma pessoa virgem, que não pode ser tocada por pessoas impuras, o que, segundo essa concepção, seriam aquelas que praticaram sexo antes do casamento", afirmou Passos.
Passos disse que, no caso de Wellington, faltou um devido acompanhamento terapêutico. "O mais importante a ressaltar neste momento é que o Wellington não é apenas um monstro. Essa visão apazigua a sociedade. Todas as questões são centradas nele, mas o fato, a rigor, é que ele era um doente mental sem tratamento. Faltou um olhar em direção a vários sinais que ele vinha emitindo desde a infância e a adolescência, como introversão e isolamento pessoal".
Para o psicólogo, se esses sinais tivessem sido, ao longo do tempo, devidamente observados e tratados, a história de Wellington poderia ter outro desfecho. "Quem sabe se um psicólogo ou psicanalista poderia manejar o curso desse delírio e impedir que ele se desencadeasse dessa forma?".
Há 10 anos também atuando como psicólogo forense no sistema prisional fluminense, Passos disse que o atentado de Wellington se distingue dos mais comumente executados por doentes mentais. "Geralmente, em crimes desse tipo, o autor responde a vozes de comando, alucinações etc. Mas, no caso dele, a ação foi premeditada, embora dentro do curso de um delírio, no qual ele não era possuidor de um juízo crítico, consequente".
Passos afirmou ainda que é curioso o fato de a carta ser correta do ponto de vista gramatical e semântico. "Mas, do ponto de vista pragmático, está dissociada da realidade", segundo o psicólogo.
O atirador levou consigo a carta para o atentado
Atentado
Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e, segundo a polícia, se suicidou logo após o atentado. O atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.
Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola quando foi acionado. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta, Wellington não deu razões para o ataque - apenas pediu perdão de Deus e que nenhuma pessoa "impura" tocasse em seu corpo.
http://www.jb.com.br/tragedia-em-escola/noticias/2011/04/08/psicologo-analisa-carta-de-atirador-tratamento-evitaria-a-tragedia/
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